Investigação aponta que vítimas teriam sofrido cobranças abusivas, ameaças de morte e intimidações por causa de dívidas
A Polícia Civil do Paraná deflagrou, na manhã desta segunda-feira (14), a Operação Quebrando a Banca, que investiga um suposto esquema de agiotagem e extorsão em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.
A operação foi realizada pela 1ª Delegacia Regional de Polícia de São José dos Pinhais, com apoio do Canil da Guarda Municipal. Os mandados judiciais foram cumpridos principalmente na região da Borda do Campo.
Vítimas relatam ameaças
As investigações começaram após denúncias de pessoas que teriam recorrido a empréstimos informais e, posteriormente, passado a sofrer cobranças abusivas, ameaças e intimidações relacionadas às dívidas.
Em um dos casos investigados, uma vítima teria entregado uma motocicleta como garantia de uma negociação. Segundo a investigação, o veículo teria sido repassado posteriormente para uma terceira pessoa, enquanto as cobranças continuaram.
Outras vítimas relataram ter recebido ameaças de morte e afirmaram temer pela própria segurança e pela integridade de familiares.
Segundo o delegado Fábio Machado, os investigados cobrariam juros considerados extorsivos e valores muito acima daqueles inicialmente emprestados.
“Cobravam-se juros extorsivos. Cobravam valores exorbitantes. Algumas das vítimas que não pagavam eram ameaçadas”, afirmou o delegado.
Ainda segundo a Polícia Civil, em um dos casos uma vítima teria sido alvo até mesmo da divulgação de um cartaz de “procurado”.
Cinco pessoas foram presas
Durante a operação, foram cumpridos cinco mandados de prisão temporária contra pessoas investigadas por envolvimento no esquema.
Um dos inquéritos apura a atuação de um jovem de 22 anos, apontado pelos investigadores como responsável por empréstimos informais e cobranças acompanhadas de intimidações.
De acordo com o relato de uma vítima, mesmo após diversos pagamentos, as cobranças teriam continuado. Ela também teria recebido imagens de armas de fogo e ameaças de que a situação poderia “tomar outras proporções” caso os valores exigidos não fossem pagos.
Armas, munições e BMW são apreendidas
Durante o cumprimento dos mandados de busca, os policiais apreenderam:
- uma BMW 328i;
- celulares;
- cheques;
- um pen drive;
- uma pistola calibre 9 mm;
- um revólver calibre .38;
- carregadores;
- dezenas de munições.
Os materiais deverão ser analisados no decorrer da investigação.
Mercado também foi alvo da operação
Em outro endereço, onde funciona um mercado, os policiais encontraram aproximadamente 1,9 mil maços de cigarros de origem paraguaia, além de cigarros eletrônicos, medicamentos e uma arma de fogo.
O responsável pelo estabelecimento, um homem de 66 anos, foi preso em flagrante. Segundo a Polícia Civil, ele é suspeito dos crimes de posse ilegal de arma de fogo e receptação.
Polícia busca novas vítimas
Com os celulares e demais materiais apreendidos, a Polícia Civil pretende aprofundar a investigação para identificar outras possíveis vítimas, movimentações financeiras, eventuais colaboradores e a extensão da atuação dos investigados.
O nome da operação, “Quebrando a Banca”, faz referência ao objetivo dos investigadores de desarticular a estrutura financeira e operacional que teria sido utilizada nas práticas investigadas.
A Polícia Civil orienta que outras pessoas que tenham sido vítimas de empréstimos informais acompanhados de ameaças ou violência procurem a 1ª Delegacia Regional de Polícia de São José dos Pinhais. A corporação informou que a identidade dos denunciantes será mantida em sigilo.




