Enquanto milhares de paranaenses seguem enfrentando interrupções no fornecimento de energia e reclamando da demora no atendimento em diversas regiões do Estado, um grupo de trabalhadores terceirizados que presta serviços para a Copel decidiu romper o silêncio. Em denúncia encaminhada à reportagem da TVTJ, funcionários relatam um cenário que classificam como de abandono, desvalorização profissional e falta de fiscalização por parte da copel sobre as empresas contratadas.
Os trabalhadores, que pediram anonimato por medo de retaliações e demissões, afirmam que problemas como atrasos no recolhimento do FGTS, pagamento de férias, décimo terceiro salário e benefícios seriam frequentes em algumas empresas terceirizadas. Segundo eles, há casos em que benefícios teriam sido pagos parcialmente e situações que acabaram sendo levadas à Justiça do Trabalho.
A principal crítica, no entanto, não é direcionada apenas às empresas terceirizadas, mas também à própria Copel. Na avaliação dos denunciantes, a companhia, como contratante dos serviços, deveria exercer uma fiscalização mais rigorosa sobre o cumprimento das obrigações trabalhistas e sobre as condições oferecidas aos profissionais que representam a empresa nas ruas.
“Quando cobramos nossos direitos, a resposta é: ‘procurem a Justiça’. Enquanto isso, ninguém fiscaliza de verdade”, relata um dos trabalhadores.
Risco elevado, salário baixo
Os eletricistas afirmam que recebem cerca de R$ 2.600 por mês para executar uma das atividades consideradas mais perigosas do setor elétrico.
Segundo o relato, as equipes trabalham durante o dia, à noite e muitas vezes são acionadas de madrugada para atender ocorrências sob chuva intensa, ventos fortes e tempestades, atuando em redes energizadas de média tensão.
Apesar do alto risco, os trabalhadores afirmam que não possuem plano de saúde e dizem que, em algumas ocorrências prolongadas, recebem apenas auxílio para o almoço, mesmo permanecendo em serviço até o dia seguinte.
“Saímos às sete da manhã e, dependendo da ocorrência, só voltamos no outro dia. Muitas vezes nem janta é fornecida”, afirma outro funcionário.
Falta de profissionais preocupa
Segundo os denunciantes, a baixa remuneração e as condições de trabalho têm provocado a saída de profissionais experientes da atividade.
A consequência, segundo eles, é uma sobrecarga sobre as equipes restantes, aumentando o desgaste físico e psicológico dos trabalhadores e dificultando a reposição de mão de obra qualificada.
Na avaliação dos próprios funcionários, esse cenário acaba refletindo diretamente na qualidade do atendimento prestado à população.
Reclamações da população aumenta
Nos últimos anos, consumidores de diversas regiões do Paraná vêm utilizando redes sociais, órgãos de defesa do consumidor e canais oficiais para reclamar de demora no restabelecimento da energia, falhas no atendimento e dificuldades para solucionar ocorrências.
Embora cada caso tenha suas particularidades, os relatos enviados à TVTJ levantam um debate importante: até que ponto a qualidade do serviço prestado à população está relacionada às condições oferecidas aos profissionais responsáveis por executá-lo?
Se as denúncias forem confirmadas, especialistas apontam que a fiscalização das empresas contratadas não deve se limitar aos indicadores técnicos, mas também abranger o cumprimento das obrigações trabalhistas previstas em contrato e na legislação.
Tarifa sobe, trabalhadores dizem permanecer desvalorizados
Outro ponto que revolta os terceirizados é a negociação salarial. Segundo os denunciantes, a categoria luta por um reajuste de aproximadamente 5%, enquanto lembram que a tarifa de energia elétrica teve reajuste expressivo de 20% recentemente.
Para eles, o contraste evidencia uma sensação de desvalorização dos profissionais que atuam diretamente na manutenção da rede elétrica.
Espaço para manifestação
A TVTJ ressalta que as denúncias apresentadas nesta reportagem são relatos de trabalhadores terceirizados e deverão ser apuradas pelos órgãos competentes.
A reportagem deixa espaço aberto para que a Copel e as empresas terceirizadas apresentem esclarecimentos sobre as alegações, informem quais mecanismos de fiscalização utilizam sobre os contratos e expliquem quais medidas adotam para garantir o cumprimento da legislação trabalhista e a qualidade dos serviços prestados à população paranaense.




