Uma crítica ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhou destaque justamente por vir de um dirigente comunista que, em outro momento, esteve politicamente ao lado do petista.

Rui Costa Pimenta, presidente do Partido da Causa Operária (PCO), afirmou em abril de 2026 que o “governo Lula embarcou no autoritarismo”. A declaração foi feita durante o programa Análise Política da Semana, da Causa Operária TV.

A posição chama atenção pelo histórico. Em 2021, Pimenta declarou que o PCO apoiaria Lula “de maneira incondicional” nas eleições de 2022.

Da defesa de Lula à crítica ao governo

Hoje, a avaliação de Pimenta é bastante diferente.

Em sua crítica mais recente, ele afirmou que o governo teria adotado uma política que considera autoritária e questionou medidas relacionadas à liberdade de expressão, atuação de órgãos do Estado e decisões judiciais. Essas são avaliações do próprio Pimenta, e não fatos estabelecidos independentemente pela reportagem.

O dirigente também criticou a política econômica do governo. Em outra manifestação, afirmou que “Lula se adapta ao neoliberalismo no Brasil”, argumentando que o governo não estaria promovendo mudanças estruturais suficientes na economia.

Em maio, Pimenta chegou a afirmar que “Lula perdeu contato com a realidade brasileira”, em uma entrevista na qual também criticou a condução política do governo.

Uma crítica que vem da própria esquerda

O episódio mostra que as críticas ao governo Lula não estão restritas à oposição de direita.

O PCO é uma organização política de esquerda radical e, portanto, as críticas de Pimenta partem de uma perspectiva ideológica diferente daquela apresentada pela direita tradicional. Seu argumento central é que o governo Lula teria abandonado determinadas posições mais à esquerda e adotado uma política de conciliação e repressão que ele considera incompatível com os interesses dos trabalhadores.

Isso cria um contraste político interessante: um dirigente que já declarou apoio incondicional a Lula passou a fazer críticas contundentes ao governo que ajudou a eleger.

O que fica para o eleitor

A trajetória também mostra como alianças políticas podem mudar.

Em 2021, Pimenta defendia o voto em Lula como uma forma de abrir uma nova etapa política. Anos depois, o mesmo dirigente passou a dizer que o governo adotou uma política autoritária e que Lula estaria se afastando das mudanças que ele esperava.