Tijucas do Sul enfrenta um desafio que vai além do crescimento populacional: criar oportunidades para que seus moradores possam trabalhar, empreender e construir seu futuro dentro do próprio município.

Indicadores da plataforma Caravela mostram que 14,3% da população tem entre 15 e 24 anos e 20,9% está na faixa dos 25 aos 39 anos. São milhares de pessoas em fases importantes da formação profissional, da inserção no mercado de trabalho e da constituição de famílias. A questão é: a economia local está preparada para oferecer oportunidades suficientes a essa população?

Empregos anunciados, mas fora da cidade?

A preocupação ganha força quando oportunidades de trabalho divulgadas para moradores estão localizadas em municípios como São José dos Pinhais, no Paraná, ou São Bento do Sul, em Santa Catarina.

Embora esses empregos possam representar uma importante oportunidade para as famílias, é necessário distinguir vagas existentes dentro de Tijucas do Sul daquelas que exigem deslocamento para outras cidades.

Quando o trabalhador precisa viajar diariamente para trabalhar, ou considera mudar de residência para ficar mais perto do emprego, o município pode enfrentar dificuldades para manter sua população economicamente ativa.

Essa saída não está comprovada apenas pelos indicadores disponíveis, mas representa uma hipótese relevante a ser investigada: quantos moradores trabalham fora e quantos acabam transferindo sua residência para outros municípios?

O dinheiro também pode estar indo embora

O problema pode ultrapassar o mercado de trabalho. Quem trabalha em outra cidade pode aproveitar o deslocamento para fazer compras, almoçar e contratar serviços fora de Tijucas do Sul.

Esse fenômeno, conhecido como vazamento de consumo local, pode reduzir a circulação de dinheiro no comércio municipal. Com menos vendas, alguns estabelecimentos podem ter dificuldades para crescer, contratar funcionários e investir em novas atividades.

Se a economia local não oferecer variedade de produtos, serviços competitivos e oportunidades profissionais, pode surgir um ciclo preocupante: moradores procuram trabalho fora, parte do consumo acompanha esse movimento e o comércio enfrenta dificuldades para expandir suas atividades.

A dimensão desse fenômeno, porém, precisa ser comprovada por pesquisas sobre hábitos de consumo, deslocamentos profissionais e migração.

Uma cidade com oportunidades para todas as gerações

O risco não é Tijucas do Sul se tornar necessariamente uma cidade de aposentados, mas perder capacidade de atrair e reter jovens trabalhadores e famílias caso as oportunidades não acompanhem suas necessidades.

Para evitar esse cenário, é importante avaliar políticas de atração de empresas, qualificação profissional, incentivo ao empreendedorismo e fortalecimento do comércio local.

A administração municipal também precisa distinguir empregos gerados dentro do território daqueles apenas divulgados para moradores, estabelecendo metas transparentes de desenvolvimento econômico.

O desafio não é impedir que as pessoas trabalhem ou consumam em outras cidades, mas garantir que também tenham motivos para escolher Tijucas do Sul.

Afinal, uma cidade não se desenvolve apenas mantendo pessoas em seu território. Ela precisa oferecer condições para que seus moradores encontrem trabalho, construam carreira, abram negócios e tenham perspectivas de futuro.

A pergunta que fica é: quais medidas estão sendo planejadas para que Tijucas do Sul não seja apenas um lugar para morar, mas também um município onde seja possível trabalhar, empreender e prosperar?